MP vai investigar propina paga a policiais do caso Marielle

As denúncias feitas pelo miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando de Curicica, sobre a existência de uma suposta caixinha paga a agentes públicos no Rio de Janeiro, serão investigadas em duas frentes. Depois de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, anunciar, na semana passada, a abertura de um inquérito na Polícia Federal, chegou a vez do Ministério Público Estadual anunciar providências.

De acordo com as promotoras Letícia Emili e Simone Sibilio, responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o MPRJ instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar os fatos narrados por Curicica. O miliciano sustenta que a Delegacia de Homicídios da Capital receberia uma propina fixa para deixar impunes os crimes atribuídos à contravenção. Em entrevista por e-mail, as promotoras lamentaram a politização da investigação da morte de Marielle, atesta o Extra.

As denúncias do miliciano Orlando de Curicica, divulgadas na semana passada pelo ministro Raul Jungmann, atrapalham as investigações?

O MPRJ ressalta a importância de não se politizar a investigação de um crime grave em respeito aos familiares das vítimas, de seus amigos e de toda a sociedade. O MPRJ tem o compromisso instransponível com a verdade dos fatos. Desvirtuar o foco neste momento é prestar um desserviço à investigação.

A partir de segunda-feira, a PF começa a investigar a suposta ação de agentes públicos e do crime organizado para atrapalhar o inquérito do caso Marielle. Como vocês estão vendo a entrada da PF no caso?

O MPRJ nunca se recusou a receber a cooperação da Polícia Federal no caso. A partir das declarações do preso Orlando Curicica, que foram tomadas pelos promotores do caso Marielle no dia 25 de setembro de 2018, na presença da Defensoria Pública da União, no interior do presídio federal de segurança máxima de Mossoró, o MPRJ instaurou procedimento investigatório criminal para apurar a veracidade dos fatos relatados.

Em entrevista coletiva, o ministro Jungmann levantou suspeitas sobre o trabalho da polícia civil no caso Marielle. De acordo com ele, as suspeitas se baseiam em dois depoimentos tomados em Mossoró. O MPE também recebeu um dos depoimentos. Há alguma providência tomada?

O depoimento só foi recebido nos últimos dias de setembro de 2018, quando os promotores do MPRJ já tinham ouvido o depoente em Mossoró.

Em nota, o chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, disse que o caso está próximo de uma solução. Faz sentido?

A investigação está em curso, com atos de investigação a serem cumpridos. Em razão do sigilo, não há novas informações a serem divulgadas.

06/11/2018

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